Carta aos cotistas (Jan/17)

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Give me your tired, your poor, your huddled masses yearning to breathe free. Send these, the homeless, tempest-tost to me, I lift my lamp beside the golden door!

Um inesperado contratempo à Operação Lava-Jato

O ANO DE 2017 COMEÇOU COM O ACIDENTE que vitimou o ministro do Supremo Tribunal, Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato. O ministro estava prestes a homologar delações de dezenas de executivos da Odebrecht, empreiteira no centro da vasta teia de corrupção, propina e financiamentos ilegais que emaranha a política brasileira. As delações comprometeriam centenas de políticos – incluindo o atual e dois últimos presidentes da república. Não surpreende, portanto, que sobre a tragédia paire uma nuvem de suspeição. De fato, a hipótese do acidente ter sido encomendado inflamou as redes sociais – na exata medida da indiferença dos mercados, para os quais a morte do juiz pouco altera no tabuleiro político. A calmaria dos mercados na esteira da tragédia é mais uma evidência de que a Lava Jato deixou de ser um fator crítico na formação de preços financeiros. Os mercados parecem acreditar que, quaisquer que sejam os estragos provocados por novas ramificações da operação, serão insuficientes para desestabilizar o atual regime. Seja como for, a perícia não revelou qualquer evidência de crime e a presidente do STF, Carmen Lúcia, foi adiante com a homologação das delações. Ao que tudo indica, a morte de Zavascki não será a morte da Lava Jato (só as teorias de conspiração não morrem). Em outra frente, o ex-bilionário caído em desgraça, Eike Batista, foi preso sob alegação de ter pago propina em troca de favores políticos. Batista foi um símbolo resplandecente do recente período de euforia no Brasil que, no seu auge, era bajulado por governos e assediado por investidores. Seu fim melancólico – preso em cela comum, seu império financeiro em ruínas – talvez seja o justo epitáfio à megalomania e às relações incestuosas daqueles tempos.

Os primeiros momentos do governo Donald Trump

E, no entanto, é forçoso reconhecer que, no contexto mais amplo do mundo e dos mercados brasileiros em particular, tudo isto perde importância. Nossas pequenas tragédias, o húbris de nossos empresários megalômanos, a miséria e corrupção de nossa política e a complexa transição econômica ora em curso no país – personagens e dramas que até aqui ditaram os rumos dos mercados locais, devem ceder lugar a outro valor que se alevanta. Pois o que cantam as antigas musas empalidece, diante do drama maior que se descortina com o início do governo Donald Trump nos EUA. Em pouco menos de duas semanas o ex-apresentador de reality show, recém empossado no cargo mais poderoso do planeta, soltou uma barragem de anúncios, medidas e atos que atordoou o mundo e enterrou qualquer dúvida de que seu governo representa uma profunda ruptura com as tradições e modus operandi de décadas de política americana. O descarte dos canais convencionais de comunicação e diplomacia em favor tuítes compulsivos, o abandono de pilares fundamentais da política externa, como a defesa do livre comércio e o compromisso com a OTAN, a postura beligerante com a imprensa e o tom agressivo com nações aliadas, a postura autocrática e desbragadamente populista – são sinais inequívocos de que Trump pretende reescrever as regras da política e da própria democracia americana. Em seu discurso inaugural, o novo presidente pintou um retrato distópico de uma nação em declínio, assolada por desemprego e infestada por crime e drogas, ameaçada por terroristas infiltrados entre as hordas de imigrantes e refugiados. Os dados revelam o oposto: uma economia que superou a grave crise financeira herdada de Bush e que vem crescendo e criando empregos de forma, senão espetacular, consistente. O crime, numa longa e contínua curva de declínio. Terrorismo, uma ameaça quase inexistente e imigração, um falso problema. Mas no Weltanschaaung trumpiano, avidamente consumido por seus seguidores, fatos são inconveniências brandidas pela imprensa mainstream, ou por intelectuais arrogantes das grandes cidades. Um exemplo trivial dessa visão foi a bizarra polêmica sobre o tamanho do público presente à cerimônia de posse, descrito pelo porta-voz presidencial como “a maior multidão jamais reunida em uma posse”, em flagrante contradição às imagens que mostram que o público em 2017 ocupou muito menos área sobre o mall do que há oito anos, na posse de Obama (questionada, uma assessora justificou a contradição com o eufemismo “fatos alternativos”, que instantaneamente viralizou). Durante a campanha, quando o candidato Trump dirigia vitupérios a minorias étnicas, imigrantes e nações estrangeiras, dizia-se que suas palavras deveriam ser levadas a sério, mas não ao pé-da-letra (“seriously, but not literally”). Empossado, o gabinete exerceria influência moderadora sobre seus impulsos mais intempestivos; a virulência exibida nos palanques seria atenuada pela sobriedade do cargo. Bastou uma semana para refutar essa tese. Trump não se intimidou com a presidência e seus assessores se mostraram tão ou mais extremados do que o chefe (sobretudo Steve Bannon, que aconselhou a imprensa a “calar-se”). Promessas que pareciam bufonaria retórica, como da muralha na fronteira com o México, começaram a sair do papel no dia seguinte à posse. Não bastasse a afronta ao vizinho, Trump tripudiou exigindo que os mexicanos banquem sua construção. Diante da recusa do presidente mexicano, ameaçou sobretaxar importações do México (em clara violação às normas da OMC) – gerando sua primeira crise diplomática. O maior choque viria alguns dias depois quando o presidente baixou decreto proibindo a entrada nos EUA de cidadãos de sete países islâmicos. Redigida às pressas na calada da noite, sem o devido planejamento ou escrutínio legal, a medida pegou de surpresa centenas de viajantes e gerou caos nos aeroportos. A repercussão negativa, inclusive entre o setor empresarial (que emprega estrangeiros e teme restrições a imigração), foi enorme. Outra promessa de campanha que começou a sair do papel, o desmonte do Obamacare, promete ser ainda mais caótico. Rios de tinta foram derramados descrevendo as implicações econômicas de Trump (Carta aos cotistas Nov/2016). Mais profundas, talvez, sejam as consequências políticas de Trump.

Desempenho janeiro de 2017: Fundo Zarathustra

Janeiro trouxe uma aceleração no ritmo de corte da taxa SELIC, que caiu 75bps para 13,00%. A redução mais agressiva de taxa foi justificada com base na queda da inflação corrente, convergência das expectativas à meta bem como da continuada fraqueza da atividade e do mercado de trabalho. O modelo de juros capturou com êxito esse movimento, tendo sido principal responsável pelo retorno de +4,17% do Visia Zarathustra FICFIM no mês. Lembramos que o novo fundo Visia Zarathustra 30 FICFIM (mesma estratégia do original) está aberto para aplicações. Nos colocamos à disposição para esclarecimentos e informações.

Veja os dados consolidados do fundo

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